se há coisa que me irrita profundamente são os sorrisos amarelos e os galanteios de gente que não nos pode ver à frente nem pintados de ouro. irrita-me! eu não finjo nesses casos: não gosto, não gosto e não perco tempo com quem não gosto! já se deu o caso de me ver forçada a dizer às pessoas em questão 'desculpa lá mas não gosto de ti, vamos passar à frente' porque não há melhor remédio que a honestidade e porque isto me poupa imenso tempo de 'jogos' para evitar e tentar não cruzar e fingir que não vê, etc etc... não é muito mais simples assumir-se que não se gosta e não perder tempo com a questão? a mim parece-me óbvio.
mas tudo isto, embora obvie a título pessoal, muda em larga escala a título profissional...
se colegas há que uma pessoa pode não passar cartão e passar à frente, já não é verdadeiro que se os possa igualmente mandar para o caralho e dizer 'não gosto de ti, desampara-me a loja', sob pena de vermos o nosso trabalho minado pelas aventesmas, sermos culpados por maus ambiente, blablabla... ao fim e ao cabo são pessoas com quem temos de gramar todos os dias e não convém andar permanentemente de trombas, a bem da nossa sanidade mental (ou da pouca que nos resta, conforme os casos). ainda assim, é bastante fácil evitar quem não gostamos sem entrar em grande onda de conflito: falar somente e apenas quando é necessário e tentar ao máximo que as ingerências no trabalho de uns no dos outros sejam reduzidas a um mínimo. trabalhar com phones nos ouvidos ajuda e muito. principalmente se (como eu) se gosta de ouvir música bem alta - bónus #1 ouço a música que me agrada à altura que me agrada; bónus #2 como ouço mesmo muito alto sei que os colegas à volta também acabam por ouvir, o que é útil quando estamos com nojinho a toda a gente e decidimos ouvir punk rock a rasgar o dia inteiro e assim foder a moleirinha dos outros que nos chateiam; bónus #3 pode sempre fingir-se que não se está a ouvir népia do que se passa à volta (às vezes não ouço mesmo, outras dou graças de poder fingir que não ouvi).
é portanto relativamente fácil fugir aos pedantes no trabalho.
o caso muda radicalmente de figura quando os pedantes do trabalho são as chefias (e na grande maioria dos casos SÃO)... a esses temos de ouvir sempre. a esses, mesmo que discordemos e até consigamos arguir contra algo, temos em última análise de baixar os corninhos e obedecer. a esses, mesmo quando se empenham em gozar com a nossa cara e abusam da posição de poder que detêm, temos de responder 'sim senhor' com o maior sorriso amarelo que encontrarmos e fazer o que nos dizem, que nos lixamos. e são esses que me MATAM por dentro... porque a minha ideologia de vida e de ser e de estar é de imediato corrompida, estardalhaçada, inevitavelmente moldada. entro, porque tenho de entrar, na onda da carneirada - não sou eu, sou um número, e como um número bem comportado tenho de produzir do modo que me solicitam, quando solicitam, como solicitam. não fosse ter eu crianças para alimentar que eu lhes dizia onde podiam enfiar as ordens...
e ultimamente debato-me com isto. no meu emprego não posso ser eu, não posso manter os meus princípios, tenho necessariamente de subverter as minhas verdades e dizer asneiras para dentro o dia inteiro. dói-me profundamente não poder mandar um sonoro 'vai-te fodeeeeer!' de vez em quando. dizer 'és um zerinho no que fazes, valha-te a puta do título' chamar a atenção para que até a minha filha de 4 anitos se saía melhor nas tarefas que lhes estão acometidas do que propriamente eles, com aqueles ares importantes de 'ai foda-se não me toques', quando no fundo no fundo o que precisam mesmo é de serem tocados e bem tocados, que isto da falta de sexo é um problema gravíssimo que está na base de 90% da disfuncionalidade profissional: uma pessoa mal fodida tem tendência a despejar as frustações no próximo e quando essa pessoa mal fodida manda, ui, que se acautelem os subordinados!... portanto votos de, pelo menos, um bom vibrador para todos vó-óooo-óooos.
já não sei onde comecei. agora tenho a melodia do coro dos pequenos cantores na cabeça e já não dou nem mais uma para a caixa. mas acho que fiz ver o meu ponto de vista.
amália ou odiália
Tuesday, August 7, 2012
Monday, July 2, 2012
'because you're supposed to'
o que é 'bem' e o que é 'mal'?
a mim ensinaram-me desde miúda que 90% de quem sou é definido pela percepção que tenho dos dois conceitos, da forma como os consigo reconhecer como tais e dos princípios que construo para mim, advenientes dessa reflexão.
reconheço hoje, no entanto, que todas as teorias vendidas acerca da questão são vazias e extremamente hipócritas. porque um adulto minimamente bem enquadrado SABE que muitas vezes mais vale sacrificar a honestidade a ter uma batalha para travar. um adulto SABE que 'à mulher de césar não basta ser, tem de parecer'. um adulto sabe que a frontalidade é um paradigma falacioso e que só pode ser aplicada em certa medida. no fundo, no fundo, um adulto SABE distinguir o bem do mal, mas opta invariavelmente pelo mal! porque por uma razão de maioria, todos assim o fazem e ai de quem tresmalhar o rebanho.
ou seja, no fundo, no fundo, todos sabem o que é bem ou mal - simplesmente optam pelo mais confortável. simplesmente optam pelo mais fácil. habituam-se a criar preconceitos, habituam-se a olhar pelos olhos dum todo e deixar ser esse o espelho duma alma que se quer única.
eu, como boa rapariga do contra, recuso-me. e não me é fácil, bem sei.
'porque uma pessoa de bem não tem o cabelo assim.'
'porque uma pessoa de bem não se veste assim.'
'porque uma pessoa de bem não fala assim.'
porque uma pessoa de bem não divulga o que tem de menos bem, antes exalta qualidades (reais e imaginárias) acerca de si próprio. e eu sou cheia de defeitos, e cheia de fúrias e cheia de sarcasmos meus que poucos entendem. e tenho o cabelo vermelho. e ando sempre toda rota.
quando começar a notar uma consciência nas pessoas que lhes permita perceber que para além da capa há todo um imenso livro escrito, então talvez aí me deixe dos sarcasmos e das fúrias e destes gritos para gente surda.
até lá, meus amigos... miss Honey White? é amália ou odiália, à vontade do freguês. dispenso é os meios termos.
a mim ensinaram-me desde miúda que 90% de quem sou é definido pela percepção que tenho dos dois conceitos, da forma como os consigo reconhecer como tais e dos princípios que construo para mim, advenientes dessa reflexão.
reconheço hoje, no entanto, que todas as teorias vendidas acerca da questão são vazias e extremamente hipócritas. porque um adulto minimamente bem enquadrado SABE que muitas vezes mais vale sacrificar a honestidade a ter uma batalha para travar. um adulto SABE que 'à mulher de césar não basta ser, tem de parecer'. um adulto sabe que a frontalidade é um paradigma falacioso e que só pode ser aplicada em certa medida. no fundo, no fundo, um adulto SABE distinguir o bem do mal, mas opta invariavelmente pelo mal! porque por uma razão de maioria, todos assim o fazem e ai de quem tresmalhar o rebanho.
ou seja, no fundo, no fundo, todos sabem o que é bem ou mal - simplesmente optam pelo mais confortável. simplesmente optam pelo mais fácil. habituam-se a criar preconceitos, habituam-se a olhar pelos olhos dum todo e deixar ser esse o espelho duma alma que se quer única.
eu, como boa rapariga do contra, recuso-me. e não me é fácil, bem sei.
'porque uma pessoa de bem não tem o cabelo assim.'
'porque uma pessoa de bem não se veste assim.'
'porque uma pessoa de bem não fala assim.'
porque uma pessoa de bem não divulga o que tem de menos bem, antes exalta qualidades (reais e imaginárias) acerca de si próprio. e eu sou cheia de defeitos, e cheia de fúrias e cheia de sarcasmos meus que poucos entendem. e tenho o cabelo vermelho. e ando sempre toda rota.
quando começar a notar uma consciência nas pessoas que lhes permita perceber que para além da capa há todo um imenso livro escrito, então talvez aí me deixe dos sarcasmos e das fúrias e destes gritos para gente surda.
até lá, meus amigos... miss Honey White? é amália ou odiália, à vontade do freguês. dispenso é os meios termos.
Sunday, July 1, 2012
um, dois, três, experiência
publicação com o único intuito de testar o aspecto disto.
ps - este blog não aplica o novo acordo ortográfico. recusa-se.
ps - este blog não aplica o novo acordo ortográfico. recusa-se.
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